Muffin

O Muffin* chegou até mim rotulado de “incapaz de aprender”, pois nem sentar, à ordem, conseguia. Felizmente que este é, normalmente, um excelente sinal!

O Muffin é um Jack Russel Terrier que naquela altura tinha 7 meses e tinha sido adquirido por uma família que tinha perdido há poucos meses uma boxer já de idade avançada e de temperamento tranquilo e pretendiam que o Muffin se comportasse de igual modo. 

O jovem Muffin além de não fazer o que lhe mandavam ainda se estava a tornar reativo quando contrariado e também com outros cães, independentemente do tamanho,o que tornava difícil os mais novos  virem à rua com ele. 

Esta família chegou até mim desesperada e com vontade de desistir do pequeno diabinho…

Para reverter esta situação foi preciso, em 1º lugar parar com as comparações, cada ser é único e traz-nos desafios diferentes, a boxer deve ter dado as suas dores de cabeça aos tutores quando era jovem, mas depois de passarem 10 ou 12 anos e esses desafios ultrapassados, são rapidamente esquecidos. 

Depois demonstrar que o Muffin não tinha nada de burro, mas sendo uma raça mais obstinada e resiliente precisava que lhe fosse demonstrado, muito claramente, o que ganhava com a cooperação e para isso uma educação baseada no fortalecimento da relação de confiança e uma melhoria no entendimento dos sinais de comunicação dos cães, conjugado com adequarmos a nossa mensagem falada e não falada à nossa intenção, faz toda a diferença!

Outro passo importante foi, deixarem de o tratar como um ser pequeno e frágil, o que obviamente ofende o espírito de qualquer Jack Russel, pois são daquelas raças que preferem ser comidos a recuarem um passo no seu orgulho! Também conheço algumas pessoas assim, vocês não? Conhecer o temperamento do nosso cão é bastante importante, para adequarmos a estratégia para a melhoria da relação. E um Jack Russel é um cão ativo, curioso e extrovertido, de pavio curto e com espírito de gigante e deve ser tratado de acordo, procurando a cooperação e evitando o confronto.

Por fim, todos perceberem que esta melhoria das respostas do Muffin aos estímulos é um processo de mudança, não é automático e precisa que se percorra através de baby steps, de modo consolidar as mudanças e diminuir as probabilidades de retrocessos.

Este processo envolveu toda a família para apoiar o crescimento do Muffin e fazer não só que ele aprendesse a sentar a pedido, como a deitar, vir a chamada, brincar adequadamente, saber respeitar os outros cães, mesmo que não queira brincar com todos e tantas outras coisas, que após as bases criadas, criaram um vínculo e uma compreensão que lhes permitiu continuarem autonomamente a crescer em família.

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