Simba

Conheci o Simba com aproximadamente 7 meses de idade, cão de porte médio/grande, com um pêlo do género do Serra da Estrela e cabeça, e algum feitio, de Pastor Alemão. Super apegado à tutora e até à data, sem qualquer questão relativamente a sociabilização.

Sempre foi sociável com outros cães, adorava pessoas e crianças, de quem estava sempre à espera de uma guloseima ou de um carinho, habituado a ir com a Maria para todo o lado, nunca causou problemas.

De repente, algo mudou, chegou o Outono, o vento, as capas da chuva e os chapéus, e de cão sociável, o Simba passou a assustar-se facilmente e até a ladrar de modo pouco simpático a algumas pessoas, o que preocupou a tutora e foi nesta situação que conheci este miúdo.

Depois de uma apresentação com alguns cuidados, pareceu-me um miúdo simpático, que conhecia bastantes regras de convívio social e sem aparente reactividade a uma estranha, que lhe tinha entrado em casa. Após os momentos iniciais de reconhecimento, depois de estarmos instaladas no sofá, foi para a sua cama, escutar atentamente a nossa conversa.

Após algum tempo a conhecer a história do Simba, soube também que este tinha sido recentemente castrado, o que por si só não tem qualquer contra-indicação, mas a data não foi a mais feliz, devido à fase do medo dos cães. Pessoalmente, prefiro que esta intervenção seja feita após 1 ano de idade e não antes, exceto se o cão tiver acesso a fêmeas ou por alguma questão de saúde.

Falemos um pouco das fases do medo, só para enquadrar a situação, os cães passam por algumas fases de medo, durante o seu crescimento, onde de um dia para o outro ficam mais sensíveis aos estímulos exteriores e se assustam facilmente.

Estes medos podem perdurar, ou com o correto acompanhamento dos tutores, podem passar sem deixar más memórias. Para alguns cães é mais intenso que para outros, por isso alguns tutores apercebem-se desta questão e outros não.

No caso do Simba, a diminuição da testosterona, juntamente com a fase do medo e a chegada de todos os novos estímulos do Outono, fez com que passasse de um adolescente despreocupado a um adolescente problemático, quase de um dia para o outro! A isto ainda se juntou a sua personalidade protetora e o seu tamanho possante, para deixar a Maria preocupada.

Em estado de alerta, devido aos medos que sentia, o Simba passou de uma postura descontraída para uma postura protetora da sua tutora, sempre que alguns homens se aproximavam.

Porquê só alguns e não todos, não sei, possivelmente por uma má associação de um determinado tipo de pessoa, mas na realidade não é importante, porque o importante é ajudar a tutora a conhecer melhor os sinais de alarme, os 1ºs sinais que o cão dá de desconforto com uma situação ou com alguém para o dessensibilizar e quando necessário, gerir.

Foi esse o trabalho que fiz com a Maria, ensiná-la a conhecer os 1ºs sinais de tensão do Simba, acalmá-lo, e de uma distância em que o Simba vê o estímulo, mas ainda se sente suficientemente seguro, dessensibilizar aquilo que lhe provoca desconforto.

Com o empenho da tutora, que se mostrou incansável, com 1Kg extra para o Simba, que como não comeu menos ração e teve direito a imensos treats extra, pelos muitos treinos, acabou um pouco mais gordinho e sobretudo com alguma dose de paciência, que as situações chegam rápido, mas demoram a serem resolvidas de uma forma consistente e coerente, o Simba voltou a ser um gentleman e a confiança da Maria foi restabelecida.

O Simba mantém-se alerta, especialmente nos seus passeios noturnos e não é especialmente simpático com desconhecidos que abordem a Maria nestas alturas, mas nesse aspeto, a Maria até agradece, pois quem vive no centro da cidade e vem passear à noite, dispensa abordagens de estranhos!

Bom Trabalho Equipa! Continuem a ser felizes juntos!

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